Guilherme Campos atua em um momento em que setores tão distintos quanto construção civil e agronegócio convergem para a mesma conclusão estratégica: gestão de riscos deixou de ser um departamento de retaguarda e passou a ocupar o centro da tomada de decisão. Pode-se identificar mudanças climáticas, transformação digital, geopolítica, infraestrutura e acesso a capital como fatores que exigem das empresas do agronegócio investimentos crescentes em inovação, gestão de riscos e planejamento estratégico para garantir competitividade.
Esse movimento não é exclusivo do campo. Na construção civil, dados do Sinapi mostram que os custos acumulados em 2025 subiram 5,63%, com o metro quadrado fechando em R$ 1.891,63, pressão suficiente para reduzir drasticamente a margem de erro de construtoras e incorporadoras em 2026. O denominador comum entre os dois setores é claro: a era em que decisões estratégicas podiam se basear em intuição e histórico recente está perdendo espaço para um modelo de gestão orientado por dados, cenários e mitigação estruturada de riscos.
Esse cenário levanta uma questão central para quem lidera grandes projetos de desenvolvimento regional: o que diferencia, hoje, os empreendimentos que conseguem atravessar ciclos de instabilidade econômica e climática daqueles que ficam pelo caminho? A resposta, cada vez mais, está menos relacionada ao capital disponível e mais à sofisticação da gestão.
Volatilidade como nova normalidade em setores estratégicos
A pecuária brasileira ilustra bem essa transição. É possível descrever a atividade como a pecuária mais complexa da história, marcada por distâncias crescentes para reposição de animais, custos de diesel em alta e pressão de mercados internacionais voláteis. Nesse contexto, lideranças do setor têm reforçado publicamente que eficiência, escala e gestão de risco deixaram de ser diferenciais competitivos e se tornaram requisitos obrigatórios de sobrevivência.
Esse tipo de transformação não acontece isoladamente. Guilherme Campos observa que ela reflete uma mudança estrutural na forma como negócios ligados a recursos naturais e construção civil precisam operar em um ambiente de maior incerteza climática e econômica. A formalização e a regularização produtiva precisam ser vistas como instrumento de fortalecimento econômico, e não apenas como obrigação legal, uma perspectiva que se aplica igualmente a outros setores intensivos em capital e regulação.
Tecnologia e dados como base da nova tomada de decisão
Entre as respostas mais consistentes a esse cenário de volatilidade está a digitalização da gestão. Na construção civil, ferramentas baseadas em inteligência artificial já permitem prever riscos, otimizar cronogramas e antecipar gargalos logísticos e de custos antes que se transformem em atrasos ou retrabalho. A análise de dados em sistemas de gestão, combinada ao monitoramento por drones, amplia o controle sobre canteiros de obras e fortalece a tomada de decisão em alocação de recursos.

No agronegócio, esse movimento se traduz em avanços de produtividade que seriam impensáveis há poucas décadas. O peso médio de carcaça na pecuária brasileira, por exemplo, saltou de 13,27 arrobas na década de 1970 para 17,15 arrobas atualmente, resultado direto de investimentos em genética, nutrição e manejo. A intensificação produtiva também avançou: a produtividade cresceu mesmo com redução de áreas de pastagem, uma combinação que só se torna possível quando gestão e inovação tecnológica caminham juntas. Esse tipo de ganho de eficiência é o que sustenta a viabilidade econômica de projetos de longo prazo em um ambiente de custos crescentes, um ponto que Guilherme Campos costuma destacar ao analisar a relação entre tecnologia e competitividade em setores intensivos em capital.
Como a reforma tributária no Brasil transforma a informalidade em risco tributário para a construção civil?
A reforma tributária em curso no Brasil acrescenta outra camada de complexidade à gestão de grandes projetos. Na construção civil, a exigência de documentação fiscal correta para garantir créditos do novo Imposto sobre Bens e Serviços transforma a informalidade, antes vista como risco operacional, em risco tributário direto e imediato. Esse novo ambiente amplia significativamente a necessidade de compliance fiscal e de capacidade analítica dentro das empresas, exigindo atualização de sistemas de gestão e maior rastreabilidade em toda a cadeia de fornecedores.
Guilherme Campos explicita que esse tipo de exigência reforça um padrão que se repete em diferentes setores: a sofisticação regulatória deixou de ser um obstáculo pontual e se tornou parte estrutural do ambiente de negócios. Conforme análise associada ao desenvolvedor imobiliário, empresas que tratam compliance como etapa estratégica e não como formalidade posterior tendem a reduzir significativamente sua exposição a litígios e a custos inesperados ao longo da execução de projetos de grande porte.
De que maneira a inovação tecnológica pode melhorar a gestão de riscos em áreas estratégicas do agronegócio?
Esse amadurecimento na forma de gerir grandes projetos tem efeitos diretos sobre regiões que vivem ciclos de expansão econômica acelerada, como é o caso de áreas estratégicas da Região Norte do Brasil. Projetos de desenvolvimento regional ligados à infraestrutura, construção civil e agronegócio nessas áreas enfrentam desafios adicionais de logística, clima e escala que tornam a gestão de riscos ainda mais determinante para o sucesso das iniciativas.
Regiões que conseguem associar inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e gestão estruturada de riscos tendem a se consolidar como polos mais competitivos do que aquelas que dependem exclusivamente de vantagens naturais, como disponibilidade de terra e clima favorável. Guilherme Campos reforça esse raciocínio em linha com discussões que envolvem o ambiente de atuação do investidor: essa combinação de fatores explica por que projetos bem geridos em regiões emergentes vêm atraindo capital que, há poucos anos, se concentrava quase exclusivamente em polos econômicos tradicionais.
O futuro pertence a quem souber gerenciar incerteza
O que esses movimentos em construção civil, agronegócio e desenvolvimento regional têm em comum é uma mudança definitiva de paradigma: a vantagem competitiva não está mais apenas no acesso a capital ou recursos naturais, mas na capacidade de gerenciar incerteza de forma estruturada. Empresas e investidores que internalizam essa lógica, combinando dados, compliance e inovação tecnológica, tendem a atravessar ciclos de instabilidade com muito mais resiliência do que aqueles que ainda operam sob modelos reativos de gestão.
Para os próximos anos, a tendência é que essa exigência se intensifique, à medida que mudanças climáticas, transformações regulatórias e a digitalização acelerada de setores estratégicos elevem o nível de sofisticação necessário para sustentar grandes projetos. Nesse novo cenário, gestão de riscos deixa de ser apenas uma função de proteção e passa a ser, ela própria, um motor de competitividade e de crescimento sustentável para quem investe em infraestrutura, construção civil e agronegócio no Brasil.
Conteúdos sobre desenvolvimento urbano, mercado imobiliário, investimentos e crescimento sustentável estão disponíveis no Instagram de Guilherme Campos. Acompanhe: @guicamposvlg
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

