Paulo de Matos Junior, empresário do segmento financeiro, nas áreas de câmbio e intermediação de criptoativos, identifica um movimento que começa a aparecer nos bastidores do setor: conversas sobre fusões e aquisições entre empresas de criptoativos se intensificaram desde que o prazo de 270 dias para adequação começou a correr. A exigência de capital mínimo, que varia entre R$ 10,8 milhões e R$ 37,2 milhões conforme a modalidade de atuação, tornou-se fator decisivo nessas conversas.
O capital mínimo como motor da consolidação
Empresas menores, que atuavam no mercado de criptoativos sem grande estrutura de capital, enfrentam agora uma escolha difícil: captar recursos suficientes para atingir o patamar exigido, buscar um parceiro com capital disponível, ou deixar de operar como PSAV e migrar para outro modelo de negócio. Para muitas delas, a fusão com um player maior surge como alternativa mais viável do que a captação isolada.
No entendimento de Paulo de Matos Junior, esse tipo de movimento tende a se repetir em diferentes segmentos do mercado, à medida que o prazo de adequação se aproxima do fim. Empresas com boa base de clientes, mas capital insuficiente, tornam-se alvos naturais de aquisição por parte de instituições maiores que buscam ganhar escala dentro do novo regime regulatório. O movimento tende a ser mais intenso entre corretoras de porte médio, que já têm operação relevante, mas ainda não acumularam capital suficiente para atender isoladamente às novas exigências.
Quem tende a liderar esse movimento de consolidação?
Bancos e fintechs já consolidados no sistema financeiro tradicional surgem como compradores naturais nesse cenário, já que dispõem de capital e estrutura de governança prontos para absorver uma operação de criptoativos já estabelecida. Para esses compradores, adquirir uma corretora com histórico e base de clientes consolidada costuma ser mais rápido do que construir uma operação do zero.
Fundos de investimento especializados em tecnologia financeira também despontam como possíveis compradores, atraídos pela perspectiva de consolidar posição em um mercado que passa a operar sob regras mais claras. Antes da regulação, esse tipo de investidor costumava manter distância do segmento justamente pela ausência de normas claras sobre capital e governança, fatores que agora existem de forma explícita. O interesse crescente desse público é visto por Paulo de Matos Junior como sinal de maturidade regulatória do setor.

Os riscos de uma consolidação acelerada no setor de criptoativos
Nem toda fusão resulta em benefício automático para o cliente final. A integração entre empresas com culturas operacionais distintas pode gerar instabilidade temporária, especialmente em processos de migração de clientes entre sistemas e plataformas diferentes. Processos de due diligence mal conduzidos também podem resultar na incorporação de passivos regulatórios não identificados previamente.
A pressa em fechar acordos antes do fim do prazo de adequação pode levar compradores a negligenciar etapas importantes de verificação, risco que, segundo avalia Paulo de Matos Junior, recai tanto sobre a empresa adquirente quanto sobre os clientes da operação incorporada.
O que observar antes de confiar em uma PSAV recém-fundida?
Para quem já é cliente de uma PSAV em processo de fusão ou aquisição, vale acompanhar comunicados oficiais sobre continuidade dos serviços, manutenção da segregação patrimonial dos recursos e eventuais mudanças nos termos de uso da plataforma.
A autorização concedida pelo Banco Central à empresa original pode exigir um novo processo de aprovação após a fusão, antes da efetiva unificação das operações, o que pode gerar um período de transição em que determinados serviços ficam temporariamente limitados. A consolidação do setor é, em boa medida, inevitável diante das novas exigências de capital, mas a transição exige atenção redobrada de quem já mantém recursos aplicados nessas empresas.

